Carta
Arqueológica do Concelho de Macedo de Cavaleiros
Equipa
Nº 6
Relatório
do Reconhecimento Prévio do Vale do Rio Sabor
No âmbito do Projecto de Carta Arqueológica do Concelho de Macedo de
Cavaleiros e na sequencia do alerta lançado com o anúncio da consulta pública
sobre o projecto de aproveitamento hídro-eléctrico projectado para o vale do
rio Sabor, consultado o respectivo Estudo de Impacte Ambiental, verificámos que
o mesmo afectará marginalmente o Concelho de Macedo de Cavaleiros apenas na
parte terminal da respectiva albufeira e com subidas de cota média das águas
até à cota dos 230 metros, o que representa uma subida de cerca de 20 metros na
foz do Azibo vindo a albufeira a terminar ligeiramente a jusante da foz da
ribeira de Vale de Moinhos.
Projectámos assim, a solicitação da Câmara Municipal de Macedo de
Cavaleiros, um primeiro reconhecimento da margem direita daquele rio, entre a
foz do rio Azibo e a foz do rio Maçãs.
O reconhecimento decorreu entre os dias 21 e 24 de Fevereiro de 2004
tendo sido levado a cabo pelos elementos da Equipa 6 do Projecto da Carta
Arqueológica do Concelho de Macedo de Cavaleiros – constituída pelas alunas
finalistas da Licenciatura de Arqueologia da FLUL: Andreia Filipa Ferreira
Carvalho, Cíntia Maurício da Costa e Silva e Nídia Maria Catorze dos Santos –
com apoio dos responsáveis Professor Doutor João Carlos de Senna Martinez, Dr.
Carlos Mendes e Dr. Helder Carvalho.
Começámos por verificar a localização dada no Estudo de Impacte Ambiental
para o povoado romanizado de Carvalhinhos, junto à foz do Azibo, mas na margem
direita deste já em terrenos do concelho de Mogadouro. As cotas a que este se
situa, acima dos 35 m, deixa-lo-ão a salvo da subida de águas mas poderá ser
afectado pela delimitação da zona de segurança da albufeira.
Reconheceram-se os troços da margem direita do rio Sabor situados entre:
1-
A foz do rio Azibo (coordenadas 3.114/4.937 GAUSS na folha 92 da CMP) e
a foz da ribeira da Eirinha (coordenadas 3.146/4.952 GAUSS na folha 92 da CMP).
2-
A foz da ribeira de Vale de Moinhos (coordenadas 3.174/4.975 GAUSS na
folha 93 da CMP) e um ponto intermédio entre esta a ribeira da Eirinha
(Coordenadas 3.163/4.963 GAUSS na folha 93 da CMP).
3-
Entre o ponto com as coordenadas 3.220/5.001 GAUSS, na folha 93 da CMP,
cerca de 600m a montante da foz do rio Maçãs e o ponto limite do reconhecimento
do Núcleo de Arte Rupestre da Levada Velha com as coordenadas 3.212/4.984
GAUSS, na folha 93 da CMP.
Destes três troços, apenas no último, entre as ribeiras de Vale de
Moinhos e Maçãs foi possível encontrar locais de interesse arqueológico. Estes
correspondem, até à data, a um núcleo de rochas com gravuras pré-históricas
situado a montante da Quinta da Barca, no limite da Freguesia de Talhas, que
designámos Núcleo da Levada Velha.
O Núcleo da Levada Velha corresponde, no estado actual dos nossos
conhecimentos, a um troço de cerca de 750m que se inicia a cerca de 850m a
jusante da foz do rio Maçãs no ponto com as coordenadas 3.215/4.991 GAUSS na
folha 93 da CMP. Foi reconhecido até ao ponto com as coordenadas 3.212/4.984
GAUSS na folha 93 da CMP.
Foram identificadas doze rochas com gravuras efectuadas utilizando as
técnicas de picotado e abrasão.
Para além de conjuntos de linhas de difícil interpretação sem um
levantamento mais cuidado, identificaram-se dois antropomorfos, um equídeo ou
cervídeo e um bovino (ver fotos).
Este núcleo já não será afectado pela subida das águas, mas deverá ser
tido em atenção face a possíveis trabalhos a efectuar na respectiva periferia.
Tencionamos prosseguir o levantamento/estudo deste núcleo quando, no
Verão de 2004, prosseguirem os trabalhos de levantamento da Carta Arqueológica
do Concelho de Macedo de Cavaleiros.
Face aos resultados obtidos em apenas três dias de trabalho
afigura-se-nos óbvia a importância do levantamento integral e actualizado de
ambas as margens do troço do rio Sabor que será afectado pela construção deste
aproveitamento. Salvaguardadas as respectivas diferenças de escala, trata-se de
um novo Alqueva. Desde já as equipas do projecto Terras Quentes se declaram
determinadas a prosseguir com a parte respeitante ao Concelho de Macedo de
Cavaleiros.
Macedo
de Cavaleiros, 2004-02-25
O
responsável do Projecto Terras Quentes
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Dr.
Carlos Alberto Santos Mendes
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Os
coordenadores da Carta Arqueológica do Concelho de Macedo de Cavaleiros
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Prof.
Doutor João Carlos de Senna Martinez
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Dr.
Helder Alexandre Carvalho
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Andreia
Carvalho
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Cíntia
Maurício
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Nídia
Santos
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